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Nota do CAEQ sobre a Assembleia Geral

25 de agosto de 2020 - Campinas, SP

A primeira Assembleia Geral dos estudantes da Unicamp desse ano ocorreu no dia 20 de agosto, de forma remota e contando com cerca de 800 estudantes em seu auge. Seria uma surpresa, se não fosse praxe de um DCE imobilista, que em meio a uma pandemia, com os diversos ataques a gratuidade, autonomia e democracia universitárias, um semestre inteiro tenha se passado e estas pautas importantes e cruciais de serem debatidas foram ignoradas pela maioria do movimento estudantil (ME), especialmente pelo DCE.

Esse descaso e completo imobilismo gerou um acúmulo de pautas, na qual em uma única Assembleia pretendia se discutir: o ensino remoto e o avanço da política do EaD; a deliberação da CEPE (Câmara de Ensino, Pesquisa e Extensão) com as alterações nos critérios de inscrição e seleção de bolsas e auxílios do SAE, que será votada no dia 01/09; o PL 529/2020 do Governo do Estado de São Paulo; e, por fim, as condições de trabalho dos trabalhadores terceirizados da Unicamp e suas demissões. É importante salientar que, antes da Assembleia começar, vários grupos partidários quiseram suprimir a pauta do EaD da discussão, uma vez que o ensino remoto já “está dado” na Unicamp pela Reitoria. Se o EaD realmente já estivesse “dado”, o CAEQ conseguiria ter mobilizado tantos estudantes para debatê-lo? Ou até mesmo de aprovar em Assembleia dos Estudantes de Química o boicote às disciplinas experimentais neste modelo? Demonstramos na prática que a luta contra o EaD é uma realidade na Unicamp, fundamental contra mais um ataque a gratuidade universitária.

As pautas eram bastante complexas e importantes, demandando uma discussão longa, bem estruturada e propositiva. No entanto, isto não foi observado. A mesa estava totalmente desorganizada e mais da metade do tempo da assembleia foi utilizado para definir a ordem das pautas. Ainda, é importante ressaltar a falta de comunicação e preparo da organização, que nem ao menos explicou a estrutura de uma assembleia. Ademais, foi notório a falta de preparo na abertura de cada uma das pautas, além de não ter sido provido um guia de uso da plataforma utilizada para a transmissão e a esquematização de um sistema de votação concreto.

Depois de mais de uma hora do início da Assembleia - prática recorrente do ME imobilista e despreocupado com as demandas e rotinas estudantis - foi decidida qual seria a pauta inicial: a deliberação da CEPE. Nesse momento, a mesa se mostrou mais uma vez despreparada, com uma abertura de ponto rasa e confusa, além de nada propositiva, deixando o debate sem nenhum direcionamento e sem propostas práticas para os estudantes, como já é de costume do velho e decadente movimento estudantil da Unicamp. Após a finalização da primeira pauta, foi novamente debatido, por mais de meia hora, qual seria a ordem das próximas pautas, causando um visível esvaziamento da Assembleia. Devido à enorme perda de tempo, não foi possível discutir todas as pautas, gerando a necessidade de mais duas Assembleias, uma com as pautas do ensino remoto (tema que deveria ter sido pautado há muito tempo atrás) e financiamento universitário, deliberada para dia 26/08; e outra sobre a deliberação da CEPE referente às bolsas e auxílios do SAE para dia 28/08.

Para a maioria dos estudantes presentes, não foi uma surpresa o descaso, confusão e despreparo do DCE para com as demandas dos estudantes. Isso era notável pela quantidade de comentários no chat da Assembleia, colocando esses problemas como frequentes do Diretório há tempos, ressaltando sua atuação fraca e ausente. Ainda, foram feitos diversos comentários em tom de deboche, inclusive questionando a própria existência da entidade. Este não é um problema apenas do DCE, mas do ultrapassado movimento estudantil da Unicamp

Reiteramos que esse posicionamento não é um ataque à existência e manutenção do DCE como entidade estudantil democrática, que deveria possuir um importante papel na mobilização, organização e politização dos estudantes. Entretanto, o que tem sido visto na prática nos últimos anos é, na verdade, um reflexo da atuação imobilista das organizações eleitoreiras presentes no movimento estudantil. Suas práticas, majoritariamente focadas no cumprimento das agendas de seus partidos, secundarizam a mobilização das bases e o atendimento de suas demandas. Isso afasta os estudantes das importantes tarefas do movimento estudantil, bem como das demais entidades que o compõe (centros acadêmicos, por exemplo).

Esta Assembleia, e o notório entrave que ela gerou para a luta pelas verdadeiras demandas dos estudantes, fomenta ainda mais a descrença e o desinteresse das bases estudantis no movimento estudantil oportunista e nas entidades representativas ocupadas por este ME. O CAEQ defende e luta por um movimento estudantil dos e para os estudantes, que seja independente e combativo; e não um que sirva aos interesses destes partidos eleitoreiros.


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