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Nota dos Centros Acadêmicos da UNICAMP: sobre a proibição das gravações das aulas do ensino remoto


A partir março de 2020, com o início da pandemia de Covid-19 no Brasil, a Unicamp aderiu à Educação a Distância (EaD), disfarçada de Ensino Remoto Emergencial (ERE), escancarando as portas de entrada para um sistema de precarização da Universidade, do ensino, das políticas de permanência estudantil; de desvalorização e automatização do trabalho docente; e também da dissolução do caráter científico do ensino.

Desde o início de sua implementação, os estudantes têm enfrentado diversos problemas para o acompanhamento das aulas neste formato precarizado e excludente, que vão desde questões financeiras a problemas psicológicos, falta de ambiente para estudo, dificuldade de aprendizado no método, falta de tecnologia para acompanhar as aulas, necessidade de auxiliar a família, além dos problemas de saúde causados por uma doença que já matou quase 170 mil brasileiros até agora.

A reitoria tentou apaziguar algumas dessas dificuldades retirando a obrigatoriedade de cobrança de presença nas aulas remotas, o que levou os docentes a gravarem suas aulas para disponibilizar aos estudantes. Para aqueles que não podem boicotar ou trancar as disciplinas remotas, ter essas aulas gravadas têm sido o mínimo de garantia para o acompanhamento do conteúdo, já que muitas vezes não é possível atender às aulas síncronas, ou mesmo para poder revisitar o conteúdo exposto durante a aula para auxiliar no estudo.

No mês de outubro deste ano, a reitoria construiu um documento, até hoje não amplamente divulgado para a comunidade acadêmica, a respeito da gravação de aulas. A Faculdade de Educação da Unicamp (FE) questionou o conteúdo desse documento e divulgou o parecer da Procuradoria Geral (PG) da Unicamp com as respostas. Neste parecer é recomendado aos Diretores dos Institutos e Faculdades que não fossem mais disponibilizadas as gravações das aulas remotas, proposta essa realizada vertical e unilateralmente, sem nenhuma forma de comunicação prévia ou discussão com os estudantes, praxe essa de uma universidade antidemocrática, em que os estudantes são excluídos da maioria das decisões, e a participação nos órgãos colegiados é pura fachada.

Vejamos o que diz o parecer da Procuradoria Geral: “Entendo importante destacar que eventual gravação das aulas realizadas em modo remoto não deve ter como finalidade sua posterior divulgação por meio de sítios da internet e/ou encaminhamento aos alunos. As atividades acadêmicas eventualmente gravadas devem ficar sob a responsabilidade da Faculdade para, se o caso, revisão das aulas e/ou verificação das atividades realizadas pelos próprios docentes ou pelos coordenadores de graduação, com o fim exclusivamente acadêmico. Os alunos que participam das atividades, ainda que de modo remoto, podem fazer as suas próprias anotações durante as aulas, não sendo a eventual gravação da aula uma ferramenta para utilização posterior pelos discentes.” (Confira na integra aqui: https://bit.ly/2ULDsGb_) Nota-se a culpabilização da comunidade discente, além de deslegitimar as suas justas dificuldades de acompanhar as aulas débeis que são oferecidas por esse sistema falido de ERE. Ainda, a PG coloca a questão de direito de imagem como impedimento para as gravações. Essa medida é também um ataque à autonomia dos professores, que deveriam ser capazes de escolher os materiais a disponibilizar aos alunos, autonomia essa já atacada pela imposição da EaD, afinal, os professores sequer tiveram o direito de escolher não ministrar suas disciplinas de forma precarizada, e nem participaram de nenhuma discussão sobre a adoção ou não do ERE.

Com isso, a reitoria mais uma vez se demonstra uma adversária dos estudantes, golpeando a já prejudicada e fragilizada experiência acadêmica dos discentes, especialmente os de baixa renda, em meio a pandemia. Comprova-se, novamente, na prática, a incapacidade da instituição de absorver as demandas estudantis. Até porque se a reitoria realmente se preocupasse em garantir um ensino científico e de qualidade, não estaríamos sequer aqui discutindo sobre “como tornar o ERE menos pior” e sim sobre como colocar a Universidade e aqueles que a compõe a serviço do povo brasileiro para melhorar suas condições de vida em meio à pandemia e o descaso do Estado, focando as atividades acadêmicas nos outros pilares da Universidade: os de pesquisa e extensão.

Ainda, nesse mês, ocorreu um caso absurdo e detestável no Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp, em que foi postada no YouTube uma gravação de aula da disciplina F609, pelo professor Lunazzi. A gravação, com mais de cinco horas de duração, continha exposição de conteúdos pornográficos consumidos pelo professor após o término da aula. Esse tipo de conduta expõe os estudantes a conteúdo pornográfico sem seu consentimento e é abusiva e irresponsável. Confira a nota do Centro Acadêmico da Física sobre o corrido na integra aqui: https://bit.ly/2UMoVtA. Casos como esses não podem ser utilizados como desculpa para barrar as gravações das aulas! As gravações, dado o consentimento de todos os presentes, podem ser um instrumento para assegurar a segurança dos estudantes. Por fim, o movimento estudantil da Unicamp repudia o caso do Prof. Lunazzi e se coloca contrário ao parecer e atitudes da Procuradoria Geral da Unicamp e da Reitoria. Os estudantes não devem ser penalizados pela atitude nojenta desse docente, que provavelmente não enfrentará as consequências devidas dentro da Universidade. Além disso, exigimos da Reitoria um comunicado oficial aos Institutos, Faculdades e discentes assegurando a gravação das disciplinas remotas. Assinam essa carta: CAEQ - Centro Acadêmico dos Estudos do Química CAE - Centro Acadêmico da Enfermagem CAIA - Centro Acadêmico do Instituto de Artes CAFEA - Centro Acadêmico da Faculdade de Engenharia de Alimentos CAGEAC - Centro Acadêmico de Geologia Asit Choudhuri CAEM - Centro Acadêmico Enedina Marques CALI - Centro Acadêmico da Licenciatura Integrada em Química e Física

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