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Reafirmação do Posicionamento do CAEQ sobre o EaD

No dia 11 de Setembro, foi divulgada pelo CAEQ (Centro Acadêmico de Estudos da Química - IQ/UNICAMP) a formação das redes sociais da Frente “Unicamp Contra o EaD”, e a partir da postagem feita, surgiram diversos comentários a respeito do teor da publicação. Lembramos aqui que a formação do GT foi tirada em Assembleia Geral da Unicamp e, consequentemente, todos os CAs deveriam ter colaborado na divulgação das mídias do GT. Após debate interno entre a gestão vigente, decidimos reafirmar novamente nosso posicionamento, de modo a explicitá-lo principalmente para aqueles que não participaram das duas Assembleias e das diversas rodas em que discutimos o tópico. Desde meados de março, após a Resolução GR-024/2020 que previa a suspensão das atividades presenciais durante a pandemia, o CAEQ tem se debruçado sobre as questões referentes ao ERE (Ensino Remoto Emergencial) e seu relacionamento tanto com a precarização do ensino a qual os estudantes foram submetidos quanto com as nuances políticas de uma proposta que tem se assemelhado cada vez mais com o “Ensino” à Distância (EaD).

Dentro da tentativa de minimizar ao máximo os prejuízos pedagógicos dos estudantes, temos atuado desde então ativamente junto ao GT-IQ de graduação e a Comissão de Graduação. Realizamos formulários para obtenção de dados, tanto socioeconômicos quanto de adaptação às estratégias didáticas empregadas pelos docentes, dos estudantes. Além disso, atuamos diretamente em diversas disciplinas, na tentativa de estabelecer uma comunicação franca com os docentes quando havia sobrecarga de trabalho, provas sem flexibilização de horários, não oferecimento de aulas, entre outros problemas. Mesmo no segundo semestre de adesão do ERE, continuamos tendo ciência de alunos de cursos diversos com necessidade de apoio e acesso a computadores e internet, que não têm sido ouvidos ou auxiliados pela Reitoria.



No aspecto que tange especificamente a análise política sobre o EaD, entendemos que o incentivo a sua implementação e ampliação não data de hoje, mas de um processo de mais de 30 anos, cujo objetivo final é a precarização da universidade pública a fim de privatizá-la. No ensino privado, o EaD já é uma realidade há muito tempo e o incentivo a sua implementação é evidente quando se analisa o aumento do número de vagas oferecidas nesta modalidade, assim como o crescimento descontrolado de campi privados. Neste panorama, redigimos um Manifesto explicando minuciosamente o processo de incentivo ao EaD no nosso país. Ainda, o próprio caráter do ensino é alterado. As aulas presenciais, em que o conhecimento teórico e prático andam lado a lado, são substituídas por aulas virtuais, distanciando abruptamente a interação aluno-professor, tirando-lhe seu caráter verdadeiramente científico. A Unicamp, e mais especificamente o IQ, têm sido utilizados de modelo para outras universidades, principalmente federais, no processo de adesão ao ERE. Fomos procurados por diversos centros acadêmicos de Química durante o semestre passado para discutirmos essa realidade. Nas Federais, em que o financiamento universitário é ainda mais falho e os problemas de infraestrutura são ainda mais latentes, o EaD cai como uma luva contra a necessidade de investimentos massivos em ambientes presenciais de ensino. Para aqueles que falam que o EaD é uma opção, esta não é a realidade de muitos. No IFSC, a partir de medida da Reitoria, aqueles que se recusarem ou não puderem acompanhar as atividades a distância poderão ser expulsos da Instituição. O EaD ainda é uma ótima ferramenta para barrar a organização e a luta estudantil. Não é à toa que a Reitoria da Unicamp escolhe esse momento oportuno para propor alterações nos critérios de seleção dos bolsistas da universidade.

Tendo todos estes posicionamentos em mente, duas Assembleias Gerais dos Estudantes de Química foram convocadas para debater o ERE. Na última delas, foi proposto o boicote às disciplinas experimentais como única e contundente forma de demonstrar para a Reitoria nosso descontentamento com a continuidade do semestre neste modelo. O mesmo foi aprovado em Assembleia e organizado pelo CAEQ junto com os estudantes. Anteriormente ao boicote, foi também pautado, na primeira Assembleia, o cancelamento total do semestre nesta modalidade, que também havia sido aprovado.

Contudo, é importante ressaltar que o nosso posicionamento contrário a continuidade do ERE e avanço do EaD não recai, de forma alguma, na defesa da “retomada das atividades presenciais a todo custo”. Muito pelo contrário, nosso RD no GT de Graduação no Instituto de Química, votou contrário a retomada das atividades presenciais da Unicamp, tanto pela atual situação da pandemia em nosso país, quanto pelo plano da Unicamp não possuir a clareza que julgamos necessária em diversos aspectos importantes da vida do estudante e dos funcionários, como o próprio transporte público até a universidade. Assim, nossa proposta, em momento de caos sanitário, político e econômico, sempre foi o fortalecimento dos outros tripés da universidade, a pesquisa e a extensão, em detrimento da manutenção do ensino de forma remota. Neste contexto, a universidade tem muito a oferecer para a população, tanto em pesquisas diretas relacionadas a Covid-19 quanto a verdadeiros projetos de extensão, que consigam auxiliar diretamente a vida das milhões de pessoas afetadas direta e indiretamente pela pandemia. Ainda, é momento de refletirmos sobre nossas disciplinas, sobre nossas grades curriculares, sobre o modelo de universidade que temos. Isso sim é pensar e oferecer ensino durante tempos de pandemia. Em suma, o ERE, como foi implementado na UNICAMP e como está sendo implementado em diversas universidades públicas, estaduais e federais, é a porta de entrada, bastante escancarada, para um sistema de precarização da Universidade, do ensino, das políticas de permanência estudantil; de desvalorização e automatização do trabalho docente; e também da dissolução do caráter científico do ensino.


Att,


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