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Nota da EEEPe-SP em repúdio à fala do Secretário de Educação

Em entrevista ao monopólio de imprensa, no programa Manhã Bandeirantes, realizada no dia 07 de Setembro, o atual secretário de Educação do estado de São Paulo, Rossieli Soares deixou claro seu plano privatista para o ensino público no estado. Dentre outras mentiras como a de que pensam na saúde das crianças e dos professores e funcionários (nunca se preocuparam!) numa possível volta às aulas presenciais, ao fim da entrevista, o secretário afirmou que a Educação à Distância veio para ficar. Ao ser perguntado pelo entrevistador – o reacionário Datena – sobre o que a pandemia trouxe de positivo para a educação, Rossieli respondeu de imediato: o uso de tecnologias de informação no ensino, ou seja, a famigerada EaD. O secretário afirmou que antes da pandemia havia muita contrariedade ao Ensino Remoto e que hoje, do dia para a noite, virou-se a chave e a EaD virou opção, afirmou ainda que a mudança de mentalidade para o uso de tecnologias da informação no ensino é de grande potencial.


Segundo o secretário isso ocorreu, pois, durante todo o período de “ensino remoto” houve amplo debate entre governo, professores, pais e alunos, o que sabemos ser uma tremenda mentira. Diversas iniciativas de professores, pais e alunos não foram ouvidas, simplesmente descartadas, as reclamações do dia-a-dia entraram por um ouvido e saíram por outro, ficaram todos rendidos tendo que cumprir o estabelecido feito de forma completamente burocrática, visto que de nenhuma maneira refletia a realidade tanto de professores e alunos da rede pública de ensino.


O que vimos desde o início da aplicação do ensino remoto nas escolas públicas é um tremendo fracasso do plano do governo. Professores sobrecarregados, pais sobrecarregados, alunos sem estrutura para estudar, acarretando numa evasão escolar ainda maior. O governo estadual se orgulha dos “canais de comunicação” criados e toda tecnologia implementada, dizendo que foi possível inclusive fazer o “ensino chegar mais longe”, e na verdade não conseguiu chegar nem “mais perto”, em locais que possuem escolas de longa data, servindo apenas para precarizar ainda mais o ensino público no estado.



Sua fala escancara o que temos denunciado desde que se intensificou o debate sobre o Ensino Remoto em decorrência da suspensão das aulas presenciais em virtude da pandemia do covid-19: aproveitam desse momento para intensificar a aplicação de seus planos privatistas para o ensino público brasileiro, desde o ensino básico até o ensino superior.


Para ficar mais claro o que pensam estes senhores, Datena disse que um dos pontos positivos da Educação à Distância é que uma criança que esteja com algum problema de saúde e não possa ir para a escola poderá assistir à aula de casa. Não contente com o absurdo que disse, completou dizendo que o professor que estiver doente, com febre, que não puder ir à escola dar aula, pode dar aula à distância por um telão. Não bastasse todo o descaso e desvalorização com a carreira docente ao longo dos anos, agora querem que as professoras e professores trabalhem mesmo doentes. Até o direito ao tratamento e repouso querem nos tirar, essa é a preocupação com a saúde dos professores, crianças e funcionários que eles dizem ter. Mentirosos!


Não bastando todo o descaso vociferado, o secretário foi além ao dizer que irá contratar mil psicólogos para atendimento online às crianças, pois não pode colocar um psicólogo em cada escola. Afirmou isso orgulhoso e acrescentou que o atendimento psicológico remoto veio para ficar, será permanente mesmo no pós pandemia. Mais um exemplo de suas preocupações com a saúde das crianças. Cínicos!


Cabe, também, reafirmar nossa posição em favor do adiamento do Enem. Como denunciado em nota pelo Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação – MOCLATE – a imposição da EaD nas escolas públicas representa “uma agressão ao direito do povo de ensinar, estudar e aprender”. A nota destaca, ainda, que as aulas virtuais, enquanto forma de ensino-aprendizagem, servem apenas como complemento, mas não substituem o ensino presencial. Dessa forma, a realização do Enem em janeiro e fevereiro, conforme pretende o MEC, implica na exclusão das filhas e filhos do povo de terem acesso ao ensino superior público, uma vez que estes estão sem aulas durante esse período, o que aumenta sua defasagem em relação às filhas e filhos das elites, matriculados em escolas particulares.


Por fim, a Executiva Estadual dos Estudantes de Pedagogia de São Paulo repudia veementemente as declarações do Secretário de Educação do estado e reafirma seu compromisso de lutar com unhas e dentes contra todos ataques dos tubarões da educação e seus porta vozes encrustados no Estado. Não abriremos mão da luta intransigente em defesa do ensino público gratuito, democrático e a serviço do povo.


CONTRA A EAD: EM DEFESA DO DIREITO DE ENSINAR, ESTUDAR E APRENDER!


TRANSFORMAR AS ESCOLAS PÚBLICAS EM TRINCHEIRAS DE LUTA CONTRA A PRIVATIZAÇÃO!


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